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Um Brinde aos Estranhos

Um Brinde aos Estranhos

Aviso aos leitores: o texto a seguir contém spoilers. Mas, ao contrário da frustração evidente de quem fica sabendo o desenrolar da trama de uma série do Netflix pelo colega de trabalho, o objetivo aqui é convidá-lo a revisitar um dos maiores clássicos do cinema mundial. Desta vez, muito provavelmente, sob a ótica de quem é protagonista de roteiro parecido na vida real. Mais especificamente na vida corporativa e com inovação.

Sem delongas. Acredito que o nome Randle McMurphy signifique nada ou quase nada para 99,5% das pessoas – os 0,5% restantes ficam para os cinéfilos de excelente memória. Já a atuação de Jack Nicholson em “Estranho no Ninho” é daquelas que nos fazem voltar ao cinema em busca de uma sensação de satisfação minimamente parecida. Quase um vício.

Se fosse para resumir em poucas linhas o filme lançado em 1975 que consagrou Nicholson e companhia (foram 5 Oscars), diria que se trata de liderar a quebra de regras de um ambiente extremamente opressor e antiquado, para dizer o mínimo, incentivando a criatividade e liberdade individuais. No caso, os pacientes de um manicômio. A atriz Louise Fletcher (ganhadora do prêmio de melhor atriz) interpreta a enfermeira Mildred Ratched, basicamente a encarnação de uma estrutura rígida e incapaz de lidar com atitudes fora do script. 180 minutos depois é fácil supor quem se impõe na disputa.

E como é na vida real de um líder de inovação de uma empresa tradicional? Certamente a maioria do líder de inovação de uma empresa tradicional vive ou já passou por este tipo de conflito. Se fosse para arriscar um palpite, diria que mais de 80% lidam diariamente com embates para quebrar a estrutura engessada das corporações. A principal diferença são os meios que dispõe para isso.

A revista The Funnel chegou ao Brasil em 2019 com o objetivo de reunir a crescente comunidade de profissionais encarregados de liderar a inovação pelas empresas país afora, intuito semelhante ao que originou a revista em Israel. Nela, abrimos espaço para a discussão de temas comuns ao dia a dia do executivo de inovação, como a popularização dos programas de inovação aberta, da preparação de executivos em mentores de startups, do crescimento das soluções de SaaS e, claro, da atual situação de carreira deste profissional cada vez mais conhecido como Chief Innovation Officer. 

Convidamos a todos para enriquecer este debate. Isso vale tanto para os executivos e suas empresas, como para consultorias e plataformas de inovação, cada vez mais importantes na promoção desta pauta no mercado. Só assim, e talvez até sendo mais transgressor diante das atuais estruturas, como fez o personagem de Nicholson, é que as estratégias do CIO e sua equipe irão para as prioridades dos tomadores de decisão. 

A curva é favorável e o crescimento do número de programas de aceleração e projetos internos de inovação são evidências disto. O desafio agora é qualificar, pois inovar exige cocriação e investimento de longo prazo, e impulsionar ainda mais o mercado. Só assim o executivo de inovação deixará de ser visto com desconfiança e receberá mais apoio de seus pares. Algo bem lembrado pelo americano Jay Samit, autor do best seller “Seja Disruptivo” em sua entrevista para a The Funnel Brasil: “A primeira regra da vida corporativa é a autopreservação, e você é uma ameaça.” Nicholson ganhou a simpatia e cumplicidade de seus pares. Os resultados tendem a ser promissores. Um brinde aos “estranhos” (com aspas, pois somos para lá de normais)!

Leia a edição completa da The Funnel Brasil. Clique Aqui

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Hilton Menezes
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I am an entrepreneur and co-founder of Kyvo Design-Driven Innovation with 20 years of experience in Information Technology and Business. In Latam we work on Corporate Venture and Acceleration Programs in partnership with Silicon Valley and Israel.

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